• Mateus BIMY

Desmistificando a Inovação

Fomos criados de uma forma inovadora e isso é algo que já nasce conosco mas que vai sendo lapidado e desbastado ao longo de nossa vida. A inovação vem desde a criação dos pais em casa, quando ele muda uma forma de brincar com seu filho ou estimula seu raciocínio com jogos de lógica. Vem da escola em que os professores precisam mudar seus métodos de ensino para prender mais a atenção das crianças e instruí-las de diferentes maneiras. Vem dos namoros em que você precisa descobrir diferentes formas de conquistar seu parceiro. Vem da faculdade e da roda de amigos em que você precisa solucionar problemas seja para garantir pontos em provas ou para ganhar confiança e cumplicidade dos que estão a sua volta. Também vem do primeiro trabalho em que você canta para gerar felicidade e ser mais produtivo em tarefas repetitivas. Mas a fonte principal de inovação vem dos desafios que você se propõe a encarar, quando não tem medo de errar ou fracassar, vem da ridicularização e do “papel de palhaço” que muitas vezes são atribuídos a você ou dos momentos que você se reinventa para sair do fundo do poço. Não, sinto lhes dizer, mas a inovação não está nas equipes de inovação, nos títulos de especialistas ou times qualificados para fazer a inovação acontecer, nem está em empreendedores/inovadores de palco. A inovação surge no momento em que você se doa e dá seu melhor para uma ideia ou um projeto, indo contra padrões e percepções da sociedade. A inovação nasce na semente que você planta num solo bem adubado de criatividade, no cuidado resiliente e esforço diário para mostrar resultados com seu estudo, trabalho e família, na certeza de que todo fim chega, que ciclos são inevitáveis e que você poderá recomeçar em outro lugar e com outras pessoas. Deus em sua essência é totalmente inovador porque ele cria diferentes caminhos, em diferentes tempos, para várias situações/problemas e resolve isso de maneira justa, de maneira atemporal, de maneira misericordiosa, com amor (ainda que tenha que passar por muita dor) e com a certeza de que ele proverá tudo que precisamos, se estivermos dispostos a batalhar pelo que acreditamos ser de nosso direito. Ou você acha que não exige criatividade criar 195 países, quase 7000 idiomas, 8,7 milhões de espécies, corpos celestes do universo (ou multiverso), revelar com o tempo tudo que conhecemos através de professores da vida e esconder, sabiamente, o que não conhecemos? Você não acha que isso é digno das maiores inovações da humanidade e de coordenar ou revelar as inovações futuras? Enfim, acredite no que quiser, mas eu tenho fé no meu propósito de emponderar moralmente gerações através de lições e exemplos práticos de inovação, empreendedorismo, criatividade e geração de ideias. Mais do que ter fé, tenho um plano consolidado para fazer isso acontecer. Mas esse texto não é para falar de mim, nem o que eu posso fazer por você ou sua empresa e sim para falar de gestão da inovação. Primeiro ponto e mais importante, tirem da cabeça que inovação precisa estar aliado a tecnologia, a TI ou de certa forma ligada a desenvolvedores e programadores. Inovação é muito maior e mais complexo, sendo simples ao mesmo tempo por permitir que qualquer um possa criar, imaginar, desenhar ou inventar uma forma de resolver determinado problema. Nossa consciência é inovadora na essência. Agora, existem formas que você pode exercitar isso, tornar mais intuito, tornar mais sábio o processo e mais interessante o aprendizado. Existe um caminho mais utilizado pelas pessoas para tornar as inovações práticas, mas existe os caminhos incertos, os caminhos desconhecidos que também podem gerar bons resultados ou até resultados muito melhores. Existe o caminho do comodismo, do “não mexer no que esta dando certo” e apenas melhorar arestas, da escolha lógica pelo mais imponente e o caminho do desconforto, da provocação, da inquietude e quebra de padrões, da inversão de papéis, estruturas e sistemas; esse caminho incerto, que geralmente não é a primeira ou segunda escolha, das pessoas e empresas, muitas vezes será mais arriscado, mas também pode gerar ganhos inimagináveis.

Nas empresas a inovação já está no RH, no Marketing, na Logística, no Financeiro, no Vendas. Só precisamos estimular as pessoas para que pensem diferente e façam a mágica acontecer. Proporcionar as pessoas um ambiente em que se sintam confortáveis para realizar um bom trabalho é essencial, mas incentivar a criação de projetos, produtos ou novas linhas de negócio é ainda mais porque mostrará as pessoas que você está preocupado em trabalhar a sua essência. A criatividade dos colaboradores, exercitada numa forma diferente de fazer uma planilha, num jeito novo de apresentar um produto, na criação de sistemas e mecanismos de tornar a operação mais produtiva ou num jeito novo de impactar o meu próximo, sai do campo teórico e assim é posta em prática. Se você opta pelo caminho de centralizar a inovação em uma área, em um núcleo da empresa, tal como outras áreas ela precisa de processos, métricas, metas e meios para viabilizar a inovação. Partindo desse princípio, você dá uma liberdade restrita ou uma falsa autoridade na certeza de que as pessoas estarão inovando quando estiverem reunidas com essa área ou participando de algum evento que o setor de inovação está promovendo. Esse caminho até pode aprimorar ou aperfeiçoar outras áreas, pode alavancar resultados interessantes, mas não é dessa forma que você empodera pessoas. O caminho da descentralização, do trabalho aberto, da imaginação para criar soluções, da criação de mecanismos para auxiliar uma outra área e da invenção compartilhada é o caminho do caos para a ordem que pode exponencializar resultados, enquanto a centralização é o inverso, ainda que gere bons resultados. Não tem como fazer gestão sem documentação, sem registro, sem diretrizes que guiem os processos e os indicadores. Assim como não tem como fazer inovação, sem estimulo cognitivo, sem exercício da criatividade, sem um consenso de que é preciso fazer diferente e sem explorar novos caminhos. Gestão da inovação, apesar da contradição, é algo explorado por muitas empresas e consultorias como uma maneira de propor soluções criativas para problemas identificados. Entretanto, muitas delas não tem a visão de que é preciso explorar esses dois caminhos (ou muitos outros) sempre para que realmente estejamos promovendo a gestão e a inovação. E porque as empresas devem explorar esse campo? Porque além de resgatar a essência das pessoas, ela força as pessoas pensarem diferente, ela explora uma forma criativa de resolver problema (seja ele de fora para dentro, no caso de inovação aberta, ou de dentro para fora, no caso de inovação corporativa), para fazer com que as dores da sua empresa também sejam dos seus colaboradores e para empoderar colaboradores a pensarem com cabeça de líder. Mas como eu posso fazer a gestão da inovação? Não existe uma regra e eles podem ser percorridos de diferentes maneiras, que terão obstáculos e atalhos variados e que podem gerar diferentes resultados. Tendo isso claro, você pode começar estruturando um documento de arquitetura corporativa da gestão da inovação, mostrando aos líderes uma estrutura e atribuições/papéis que irão viabilizar ou permitir com que a empresa seja inovadora. Ou você pode começar criando desafios diários para estimular um comportamento para atendimento de normas ambientais, por exemplo. Não existe um jeito certo de começar a fazer a inovação a acontecer na sua empresa. Se você conseguiu reunir diferentes pessoas em prol de uma visão em comum, você também consegue resgatar a essência delas e estimular elas para que sejam criativas e inovadoras.

Foque mais no exercício diário da criatividade do que em ações pontuais que entregam inovação, ainda que essas sejam necessárias. Se preocupe com o que as pessoas estão aprendendo de novo, em como elas estão sendo desafiadas e se elas pulsam o seu propósito, do que com fazer tarefas automáticas e repetitivas, que não gerem desconforto ou que não se conectem com o seu propósito. Faça perguntas para seus colaboradores e para si mesmo na tentativa de entender o porque de terem diferentes problemas, para entender se aquilo realmente é um problema, para identificar uma quantidade significativa de soluções e poder definir uma que faça mais sentido. Documente isso e registre, compartilhe os aprendizados e entenda como eles alavancam seus resultados. Essa é uma forma de fazer a gestão da inovação.

Outra forma de exercitar ou praticar a gestão da inovação é utilizando ferramentas de co-criação, tal como o Mural ou o Miro, que permitem com que diversas pessoas trabalhem editando um mesmo espaço/framework para atingir um fim em comum. Também existem algumas ferramentas ou modelos trabalhados dentro desses espaços, que vieram de estudos e pesquisadores, tais como o Mapa de Empatia, É/Não é/Faz/Não Faz, Business Model Canvas. Mas você também pode criar o seu próprio modelo. Crie, imagine, invente suas próprias ferramentas, porque se você conseguir levantar insights inovadores a partir de uma visão que não existia, parabéns, você está inovando! Inovação também tem muita relação com as capacidade empreendedoras de uma pessoa, ou de intraempreendedorismo, porque quem empreende um novo projeto precisa criar formas de convencer as outras pessoas a comprarem de você, o que não é nada fácil. Mas assim que você deixa mais claro seu porque, mostra como entregar isso e o que você faz, consolidando uma estrutura estratégica e operacional do seu projeto, muito em breve milhares de pessoas estarão comprando de você. Empreender significa ser resiliente, ser diligente, ser corajoso para enfrentar um mercado que não terá pena de você, assim como foram para tantas inovações da humanidade. Ter uma visão inovadora pode gerar muito desconforto alheio, mas se você conseguir sintetizar e tangibilizar de maneira palpável e que traga verdadeiros benefícios para seus clientes, pode apostar que valerá a pena você falar da sua ideia para o mundo inteiro.

Inovação também tem a ver com você disruptar uma cultura de trabalho de uma cidade, por exemplo. Já pensou fazer toda uma cidade ou região perceber que a competição precisa dar espaço para a colaboração? Não é uma tarefa fácil. Ainda bem que tem excelentes pessoas sustentando essa visão. Você mudar a forma de trabalho com que uma pessoa executa o seu, depois de fazer 10, 20 ou 30 anos da mesma forma, terá que quebrar algumas barreiras para ser aceito e ser adotado. E a inovação mora ai, no mesmo endereço da criatividade, na mesma cidade do inimaginável, na região que pulsa a cooperação, no mesmo estado que pensa diferente, no pais que a mágica acontece e no mundo da essência inovadora.

Fazer inovação tem muita relação com você fazer uma música. Para tocar um instrumento você precisa aprender a notas básicas, praticar, aprender notas menores, sétimas, oitavas, praticar, aprender ritmo, tempos, praticar mais um pouco, você pode conciliar o canto com esse instrumento, criar melodias, canções, praticar ainda mais, testar se sua música gera boas reações nas pessoas e seguir praticando. A inovação é uma arte e através da prática do processo criativo, utilizando diferentes ferramentas que vão ampliar o seu repertório, você pode produzir verdadeiros discos de ouro. A inovação, ainda que esteja em nossa essência, ela não nasce pronta. Assim como uma criança, ela precisa ser amparada, ser estimulada, ser corrigida quando se erra para crescer e ser colocada a prova. Seus propósitos são de aprender para renovar ou substituir estereótipos que estão ultrapassados e que não fazem mais sentido permanecer da mesma forma; cabe a nós fornecer as ferramentas adequadas e mostrar os caminhos para que possam crescer, amadurecer e se tornarem sabias.

Como falei, a inovação não necessariamente precisa estar em áreas de TI, mas a TI tem gerado as inovações mais disruptivas da atualidade. A invenção da internet, o computador, o smartphone, o Blockchain foram criados por pessoas com um bom conhecimento de TI e uma boa dose de criatividade. Mudaram totalmente o status quo, a forma de comunicação, fizeram gerações pensarem diferente e encontraram uma forma de promover confiança sem depender de um intermediário, no caso de transações pela Blockchain. A quantidade de informação que nos é disponível hoje somente com um celular é muito maior que décadas atrás e para que você consiga fazer um bom uso dessas informações é necessário ser criativo e inovar. A gestão de dados também tem muita relação com gestão da inovação, porque é preciso criar mecanismos para não formar silos de informações, armazenar e disponibilizar de maneira rápida e acessível, montar uma arquitetura de dados, formatar repositórios e Data Lakes, para extrair, transformar e carregar (ETL) dados do seu negócio.

A inovação tem muita relação com os métodos de Design Thinking, tal como as ferramentas que comentei, provendo uma conceituação visualmente agradável para nossas soluções, mapeando as jornadas do usuários e fazendo protótipos de baixa e alta fidelidade. Sabe um grande exemplo de aplicação de Design bem executado? O TEDx (abreviação de Tecnologia, Entretenimento e Design) possui uma enormidade de eventos que tem em sua essência compartilhar ideias. Ao definir um tempo mais curto que a grande maioria de palestras, ele modelou uma forma de prender mais a atenção das pessoas, que precisavam de mensagens diretas, claras e sem enrolação. Isso também esteve condicionado a percepção de que os maiores discursos da humanidade levaram em média 15 minutos. Ao diversificar em versões globais, locais, studio, business, library e outros, possibilitou uma maior capilaridade e crescimento em escala, deixando claro os termos de uso da sua marca. Enfim, foi uma forma muito inovadora de redesenhar o formato de palestras, apresentações científicas e publicações em geral. Não sei quais ferramentas de Design Thinking eles utilizaram para fazer com que tenham o grande sucesso que tem hoje, mas sei que eles acertaram demais no modelo proposto.

Gestão da inovação tem também a ver com aplicar a inovação aberta, ou seja, educar os colaboradores internos sobre o tema através de geração de negócios para sua empresa (diagnosticando sua dor) que busca em startups soluções que resolvam de maneira parcial ou por completo seu problema. Também tem relação com plataformas de crowdsourcing para lançar ao público problemas da empresa e através dela encontrar sinergias com projetos que solucionem a dor. Já gestão da inovação, no viés corporativo, tem total relação com os programas de intraempreendedorismo, que são eventos internos, maratonas de programação (Hackthons), workshops de Desigh Thinking e outras formas de resolver problemas da empresa com os próprios funcionários. Ainda, inovação corporativa está relacionada com a criação de uma Governança e de um Conselho de Inovação que irá criar controles futuros, gerir riscos, definir políticas gerais, formatar questões de Compliance, estabelecer Stock Options e diversos pontos que um conselho consultivo, de administração, familiar ou de acionistas pode atuar.

Enfim, essas são algumas das formas de trabalhar a gestão da inovação, lembrando que gestão e inovação são quase opostos, mas complementares e que se bem trabalhados e bem costurados alavancarão e muito seus resultados. Também são vários caminhos, formas e ferramentas para se trabalhar a gestão da inovação, basta que uma pessoa ou um time faça as provocações necessárias para fazer fluir a essência inovadora que existe dentro de cada um de nós. Gestão da inovação é basicamente gerir e exercitar processos criativos de resoluções de problemas.

Agora que você sabe o que é e porque fazer gestão da inovação, fique a vontade para nos perguntar como nós do si9 studio de inovação podemos ajudar a fazer a inovação acontecer em sua empresa. Será uma honra explorar e formatar modelos para gerir a inovação que vive dentro de cada um de nós.

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